July 24, 2017

Começa o mês de outubro. E começa com a comemoração de Santa Teresinha do Menino Jesus, a padroeira das missões, para a parte de oração e intercessão. Para o lado de ação missionária o padroeiro é S. Francisco Xavier, apostolo dos Países da Ásia Sul – Oriental.
Neste último meio século todo o mundo se tornou área missionária, a começar pelos Países de tradição católica, como a Europa e a América latina.

Por quê? Porque o mundo virou pagão. Por causa da mudança epocal da humanidade, que passou da época agrícola à industrial, do campo para a cidade, da informação direta á informação através dos meios de comunicação de massa, dos regimes autoritários aos democráticos.

Vou explicar. Até um século atrás a massa das pessoas vivia nos campos, em pequenas aldeias, cultivando a terra. A maioria era analfabeta, ou freqüentava somente o curso primário reduzido a poucos anos de escola. As novas gerações cresciam em casa, em contato com avós, tios e vizinhos, todos conhecendo todos e preocupados em transmitir aos menores os valores éticos e religiosos do grupo. Mesmo nas cidades, o povinho crescia e vivia nos bairros, em contato permanente com os vizinhos.

A educação familiar era integrada pela escola, controlada pelos pais. Quem falava à comunidade toda era o chefe religioso nos domingos e nas reuniões de grupos.Todas essas pessoas, interessadas na boa educação e na convivência pacífica, formavam a opinião publica do grupo, que crescia imbuído de espírito religioso, favorecido pelo contato com a natureza. Não havia iluminação pública nem poluição: a noite era completamente escura, e o céu oferecia, a quem olhava para o alto, um espetáculo maravilhoso de estrelas, falando da grandeza do universo, certamente obra de um Ser todo poderoso.

Também o trabalho dos campos colocava sempre em contato com a natureza, que não é obra do homem, e o êxito do cultivo dependia do sol, da chuva e do desenvolvimento regular das estações do ano. O homem instintivamente se recomendava a Deus.

Todo mundo então era religioso, seja católico como protestante, budista, maometano, ou de religiões primitivas.

Neste último século a massa dos camponeses emigrou para as cidades. Aqui, com o ar poluído e a iluminação, não dá mais para ver o céu de noite; nem estamos a contato com a natureza: casas, ruas, meios de transporte, indústrias, máquinas, são todas obras do homem, e o bom serviço depende de nós e não diretamente de Deus, que assim saiu da mente dos superficiais. Somente os mais reflexivos chegam a pensar num Ser Superior.

Mais ainda: Surgiram os meios de comunicação de massa e as novas gerações, desde a infância, passam horas e horas frente à TV, o mesmo continuando a fazer jovens e adultos, além de ler jornais e revistas. Os comunicadores destes meios não estão interessados na educação das pessoas, mas em ganhar dinheiro. O discurso religioso e moral incomoda, enquanto a exibição de cenas picantes, a curiosidade mórbida, a excitação subliminar à libertinagem estimulam a curiosidade, aumentando a audiência e o ganho. Mais do que educar, corrompem. Até a escola, hoje se preocupa mais em ensinar coisas, do que em educar pessoas. A democracia trouxe a liberdade e o pluralismo: cada um se sente no direito de mudar religião, ou larga-la, como quiser. E os pais, não têm tempo para os filhos, trabalhando muitas horas fora de casa.

Assim o homem virou materialista, sem religião, com uma moral subjetiva e duvidosa. Todas as religiões estão em crise. Todos os Países se tornaram terra de missão. As pessoas autenticamente religiosas são hoje minoria, embora sejam mais autênticas. Tornou-se necessária uma continua evangelização, com todos os meios, para reagir a um ambiente materialista.

O mês de outubro nos chama a isso: dar ao homem moderno a consciência de Deus. Sem religião somos como barcos sem leme, ignorando até porque viemos a este mundo.

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